• Marcelo Pimenta

Relação recíproca



Onde procuraria sua mão. Foi a primeira pergunta abatida. Corri ao dicionário, talvez me contasse entre linhas, uma variação nunca ouvida, os conceitos variam, você bem sabe. Quis te ajudar, cuidar de seu colo, tantas vezes te guardei no meu. Você me agradeceu a ausência, ouvi um sussurro de adeus, nem fui, talvez nem quisesse e me desculpei, lavei minhas mãos. Corri ao dicionário.

Cooperação, participação, companheirismo, amizade, laços de amizade, interação, relação recíproca. Procurei sua mão. Fosse apenas para acariciar minha face, ando muito distante, nem ando. Confesso, achei natural, nestes primeiros dias, tanto existo virtual, você também, não sinto seu cheiro, queria molhar meus dedos em seu sorriso, manchar minha boca com a sua, mas não preciso, nem quero, fica aí mesmo, onde te evito, não compartilho, relação reciproca, lavo minhas mãos.

Se um dia trombasse com algum isolamento, por qualquer forma forçado, como seria bom não te ver sem desculpas, se até em mensagens me agrido, se fomos cessando, não sinto seu cheiro, esqueci seu sorriso, você é tão pálida ai dentro, plana. Te desligo e pronto, durmo só, evito suas lamúrias e nem sonho, acho que vivo um sonho. E me vejo trancada, se corro para me ver de frente, no sonho poderia me encarar, me indagaria sobre a ausência, eu sou assim, vaga, medrosa, individualista, vaidosa, vi no dicionário.

Agora você não me assusta, não me cobra a distância, não, não sinto seus lábios aí dentro, relação recíproca, que merda. E acordo com mais medo e não te entrego meu colo, era apenas minha a clausura, sabia de você me tocando, tentando, mesmo eu tão vaga, vaidosa, era sonho, era apenas sonho e pela manhã acordaria com seu toque, talvez lambesse meu pescoço, eu acordaria encolhida, arrepiada. Somos todas, agora somos todos, a relação recíproca.

No dia que a solidariedade significou nosso isolamento corri ao dicionário.

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