Em As coisas sem nome, Marcelo Pimenta instiga o leitor a realizar um mergulho profundo na trajetória de amores, dores, delicadezas e rupturas vivenciados pelas protagonistas Zel e Rita. Com maestria, o autor constrói um enredo que se arvora no tema difícil e fugidio da loucura, condição que se instala em uma das personagens após uma vivência pautada por um amor tão grande quanto incompreendido, associado a desejos, trocas, angústias, violências e perdas impostas pela vida.

 

Temos em mãos uma história composta por abismos, imensidões, celeiros de dúvidas, questionamentos e belezas lapidadas por quem faz da escrita um tipo de ourivesaria. Em seu primeiro romance, o escritor nos brinda com uma prosa elegante e precisa, composta por palavras milimetricamente escolhidas – como os grãos de feijão do belíssimo poema de João Cabral.

 

As coisas sem nome nos remete a obras singulares como As cidades invisíveis, de Calvino, ou Grande Sertão: Veredas, de Rosa, à medida que, assim como nessas obras, a linguagem em questão inebria, encanta, chama para si. Espécie de feitiço, coisa feita. E falando em Rosa, vale lembrar que Pimenta também vem das Minas Gerais, terra cuja riqueza em minérios, de alguma forma, parece ter originado alguns dos maiores alquimistas do verbo. E o autor deste livro – que sorte a nossa! – está entre eles.

 

Goimar Dantas é jornalista e escritora. Autora, dentre outros, de A arte de criar leitores – Reflexões e dicas para uma mediação eficaz.

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