Sapatos de viver a morte
Romance
Digital
2026

Breve em papel
Toda criança inventa uma história para suportar o mundo dos adultos, na de Olavinho, viver pode ser a pior notícia.
Durante a pandemia de 2020, isolado em uma pequena vila, Olavinho acompanha os passos do pai, o Dr. Paulo, médico admirado por todos e guardião de respostas que o menino ainda não possui. Diante da doença, do medo e das palavras evasivas dos adultos, ele constrói sua própria explicação para a existência. Uma explicação absurda, engenhosa e talvez mais verdadeira do que deveria.
No outro extremo do tempo, Antunes envelhece em um futuro no qual as máquinas antecipam necessidades, a presença humana se tornou dispensável e até os livros precisam circular clandestinamente. Cercado por tecnologias invisíveis, ele se refugia em lembranças que se desfazem e retornam modificadas, como se a memória não recuperasse o passado, mas o recriasse para encobrir alguma ausência.
O menino inventa. O velho recorda. Mas toda lembrança contém uma ficção, e toda ficção pode guardar uma verdade.
À medida que suas narrativas se aproximam, tornam-se instáveis as fronteiras entre passado e futuro, realidade e fantasia, identidade e desejo. O que permanece de uma pessoa quando suas lembranças deixam de lhe obedecer? Quem fala dentro de nós quando acreditamos recordar? E quanto de nossa vida é construído para não olharmos diretamente para a morte?
Com humor sombrio e linguagem intensamente imagética, Marcelo Pimenta conduz o leitor por um território em que desejo, desamparo, memória e identidade deixam de ser ideias abstratas e se tornam experiência literária. Sapatos de viver a morte não procura explicar a existência: torna-a novamente estranha.