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Rascunho você
Esqueço o presente Minto atrasado Uma porta nos separa Respingo passado Deito pisado Amargo esquinas Ainda tento nos ver Por de claros Escuto passos no escuro Afasto sonhos Encontro nossa noite Mas não te vejo Te daria minha mão passada Olharia no cego dos olhos Veria quem era Seu gosto ocre na boca Quando enfim me escutasse Você riria em meus lábios Tremeria em mim sua mão Abriria a porta Lá dentro nossa ausência Onde nós deixamos quebrados A última vez foi tudo Sou eu atrás
Marcelo Pimenta
3 de jun.1 min de leitura


Dia tarde demais
|Ficção| Um dia folheei o mundo e te vi. Vinha com letra inclinada, como se chegasse antes dos pés. Da janela mais colorida, te vi. Vinha com o coração vadio, como o meu, acostumado a visões. Trazia quase nada, o mundo talhado em espelhos, em reflexos fragmentados, uma caixa dividida em desejos. Esperei a imagem se ver, imaginei páginas diversas, escutei meus barulhos, emendei cada trapo arrastado, um vento louvado me assanhou, levado em fantasias, cravado em miragens, então
Marcelo Pimenta
10 de fev.3 min de leitura


Prosa em verso
Levo da manhã a leveza, da noite
Esqueço o presente e vejo imagens
Falta nitidez
Uma nuvem espessa me separa
Marcelo Pimenta
15 de jan.1 min de leitura


Amanhã não virei
|Poesia - prosa com Fernando Pessoa| Amanhã não virei. Uma manhã virá. Seria bom se ao nascer eu já vestisse o fato da morte, Não da morte substantivo, mas adjetivo, Nascer é uma morte, então poderia me fantasiar para o dia, E quando o substantivo sorrisse, gloriosa, bem a minha frente, a distância diminuiria meus olhos, E eu já estaria belo, faríamos um par decente e fielmente final. Seria bom se ao nascer eu já me vestisse de morte, Não do adjetivo, E eu a surpreendesse gl
Marcelo Pimenta
3 de out. de 20251 min de leitura
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