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Prosa em verso


[janeiro 2026]

Levo da manhã a leveza, da noite

Esqueço o presente e vejo imagens

Falta nitidez

Uma nuvem espessa me separa


Deito

Espero o retorno do sol


Trinar de muitos passados

Cantigas a me acordar

Lento, calmo, cinzento


Pego meu livro

Leio e escrevo perambulando, adentro


Uma superfície estranha, meu caderno

Onde deixei versos e versões

Busco qualquer uma, leio todas


Escrevo em colorido magoado

Precisei me mastigar, castigado


Feridas fizeram questão de voltar

Como torneiras pingando noturnas

Gotas a me contar, aguadas


A planta ainda molhada

Acariciei o veludo da folha

Tinha sua mão, ausente


A penumbra escreveu seu nome

Em dimensão difícil de ler


Vaguei perdido em sons

Percebi uma letra

Uma melodia escrita no véu

Da noite


Vi uma mão me chamando

Estava proseando em seu corpo.

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