Prosa em verso
- Marcelo Pimenta
- há 3 dias
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[janeiro 2026]
Levo da manhã a leveza, da noite
Esqueço o presente e vejo imagens
Falta nitidez
Uma nuvem espessa me separa
Deito
Espero o retorno do sol
Trinar de muitos passados
Cantigas a me acordar
Lento, calmo, cinzento
Pego meu livro
Leio e escrevo perambulando, adentro
Uma superfície estranha, meu caderno
Onde deixei versos e versões
Busco qualquer uma, leio todas
Escrevo em colorido magoado
Precisei me mastigar, castigado
Feridas fizeram questão de voltar
Como torneiras pingando noturnas
Gotas a me contar, aguadas
A planta ainda molhada
Acariciei o veludo da folha
Tinha sua mão, ausente
A penumbra escreveu seu nome
Em dimensão difícil de ler
Vaguei perdido em sons
Percebi uma letra
Uma melodia escrita no véu
Da noite
Vi uma mão me chamando
Estava proseando em seu corpo.







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