Encontro Sibila


Apela a vida, apenas olvidos. Apelo às palavras, desmaio em apuro. Então me calo. Colo meu corpo. Inundo de silêncios todos os monólogos em vagas excêntricas. Vejo mais perto. Aperto meus olhos com punhos fortes, empurro-os adentro, como se assim pudesse descolá-los da face e navegar minhas ilusões em caça de alívio, assistir o desvelo em algazarra das imaginações em recreio. Permito-me a ilusão do retorno encantado quando amolecer o esmurro e repetirem-se em faces o mesmo arregalo. Surdo o aplauso. Revejo o absurdo com olhos doridos e ainda confusos. Esgrima de olhares em ideias severas e sempre escravas, cativas do enredo em anuência tímida, preguiçosas de revoltas, voltam em costura de sonhos, flertes cansados. Revejo o absurdo.

Namoro o ser distante, acalento em alturas de negar a nitidez que temo, me temo lúcido. Mas percebo quando a cantilena cala e a mente se encerra em verdades. Um encontro pálido de carinhos, como um abraço nojoso de intimidades a começar pela face ensolarada e terminar em sorriso mundano. Abraço de mundo, sobras de uma oração de penhores perdoados, o ocaso da dúvida, a aflição desenhada em paisagens.

Apelo à vida, imploro ouvidos. Escalo aquele cume alto, encolhe-me a vista, acolhe-me em vontades de amansar futuros. Então me refaço em doçuras e toco o ombro enrustido, busco o presente de caras. Cirando sussurros, insisto em tertúlias antigas. Ela me enxerga além de meus olhos, fareja destinos, imaginações em fato verídico, tem o carinho do tempo que leva em mesuras. Atravessa-me, não a vejo. Encanta-me e assusta, apenas brilhos da resenha a contar-me a graça, a desgraça, o saldo de ansiedades. Engasgo perguntas em silêncios de assanhar pânicos. É dela o convite estorvante escondido em afago, em ouvido trocado. Escuto-me nela, ela em mim. Um diálogo de lapsos, desencontros em reflexos de identidade. Temo amá-la e nos perder no venturo, escapar e confundir o passado tratado. Tento despir o sentido ampliado que me tentou encardido. Me despedi em contratos, neguei os desejos que senti adiante, quando já eram saudade. Volto em despenho caduco a me recontar o decorado. Minto a alagar meu canto de ausências com amores miúdos, tive em distâncias.

Desfio-me em prosa desajeitada. Agarro palavras, marcas do alívio negado, do costume em fantasias. Desenho meus versos quando escorrem como sibilas pela fresta de futuros. Mal vejo minhas folhas restantes pelo leito do livro a esforçar-me saberes, esmagar-me olheiras, contar-me em orelhas.

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