Algo assim


Setembro tem fogo. Desgarrado do sempre, quando o mato seco se perde em calmarias e, cansado do resumo, atiça querenças. Anima-se desafioso, aborrece o indício em preguiças, foge com ventos em palhas de lumes. Montanhas ilustram um céu corado, o rastro invertido de estrelas briga com as fagulhas riscantes a confundir as pequeninas ideias, a cena em alastro, a combinar o gozo rarefeito, ainda em desformas. Deito sentidos em reverência ao breu salpicado, cintila, provoca-me em suspeitas, abusa e ofusca. Busco meu ritmo sem música, trato uma dança em desordem e tento combinar-me com emoções que trançam, trombam miragens sabidas, assustadas quando percebem o tino alagado perder-se em festejos de algo.

Olhos em descaso, apeio do rodeio das sentenças, assisto a respiração iludida, aturdida, desdenho da cantiga do ofício e flerto diverso, divertido. Distraio, toco uma prenda em susto, fecho-me nu. Internado em mim encontro a lágrima de querer-me omisso. Ainda tento secar a visão, não sei se cinge-me em denúncias, ou se me entrega ao cenário invisível. Lembro de tatear dedos finos, um a um se encontraram antes de mim, o preludio de toques. Não te disse nada. Soltei uma corda de cores, duas. Guardei minha ponta em trato de desvendar o segredo. Em única certeza, te entreguei minha mão, você acariciou em ternura áspera, me concedeu toda jornada em impressões, em calos forjados na suposição da trilha perdida e reencontrada em atalhos, como se assim se contasse em carinhos. Foi apenas um instante. Não tive ânimo de olhares, receio em caricatura, talvez o desejo a navegar sutilezas. Um momento que traiu o tempo, libertou o silêncio e rasgou a mentira de ausências. Te vi tanto, iludi épocas e concertei a vigência de mãos, esqueci o não tê-las. Revelei em aperto e nem sei se você ouviu. Te disse algo, você me confundiu com distâncias, vi sua boca segredando, talvez se contando para noite.

Setembro tem algo. Perdi a corda de narrar o achado, você roubou minha ponta, seu silêncio levou em rastro de grama o único sentido despido. Conspirei com o mistério e, quando me sacudiu a delicadeza do adeus, você se deitou em meu ombro. Entretinha-nos a mesma baderna de claros e escuros e achei de te encontrar. Acomodei espios bem onde você escondeu o seu, fantasiei um depósito de verdades acanhadas, entraríamos juntos, ainda mudos de corpos, olhadela tímida em futuros roubados ao tempo. Foi sua a boca a resgatar-me do enredo em tramoias incertas, amaciar o desejo arredio, o momento de intensidades que só um beijo devolve. Então você me sugou de lonjuras e confundimos esperas com lábios. Você me contou outra vez em suavidade, manipulou em tons o tapa de bocas em disfarce da carícia mais íntima.

Te mostrei uma cama sortida, você nos levou. Divagamos corpos com a mesma ardência, nos confundimos com fogo, nos soubemos únicos em ternura de sonhos. Em setembro te achei linda na manhã de costumar olhares, em dias idos e vindos, sem amarrar venturas em destinos, terei sempre o recordo dos cachos, quando te vi, quando trancei dedos em busca da face que sempre me disse. Algo.

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