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Um fragmento de memória
 

quero sentir seu corpo, mais alto, a música, o estampido raso de metais, seja baixa, em seu ouvido quente, sou vestida em sussurros, arranca outro trapo, me mostre seus lábios, não, inteiros não, tão pertos que sinta sua respiração, rápida, nem tão alta, quero ouvir a música, baixa, não me olhe, sou tantas, não me escolha, sou vestida em movimentos, lentos, tira mais, quase nua, letra, cada trapo me leva, sou tramada em partidas, devolve sua língua, sugere meu corpo, me cala

2020

Sobre escrever

Escrever é aceitar a falta do tempo. Não a sua escassez, mas sua fratura. O tempo não se apresenta como linha, e sim como ausência ativa, um vazio que empurra a linguagem para dentro de si mesma. Escreve-se onde o tempo falha, onde já não é possível narrar em sequência, apenas insinuar permanências.

Obras

Obras

A leitura do vento

Romance

As coisas sem nome

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Sapatos de viver a morte

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Textos livres

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